Somos Carmelitas Descalços.

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Grupo Carmelita

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Uma família religiosa nascida no coração da Igreja, fundada por Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz no século XVI, em Ávila, Espanha. Esta reforma brotou da antiga Ordem do Carmo, da qual herdámos uma rica tradição espiritual e uma profunda devoção à Virgem Maria, nossa Mãe, Irmã e Modelo de consagração, que invocamos com filial amor como Nossa Senhora do Carmo.

O nome “Carmelitas” remete-nos ao Monte Carmelo, na Terra Santa, onde, no final do século XII, um grupo de cruzados e peregrinos, inspirados pelo profeta Elias, decidiu viver em retiro e oração, seguindo uma vida eremítica. Esses primeiros eremitas — os Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo — receberam uma Regra de Vida dada por Santo Alberto, patriarca de Jerusalém. Elias foi para eles não apenas modelo, mas verdadeiro pai espiritual e inspirador de uma vida centrada na busca de Deus.

No século XIII, devido às crescentes ameaças no Oriente, os carmelitas viram-se obrigados a regressar ao Ocidente, onde adaptaram a sua vida eremítica ao estilo mendicante das ordens religiosas da época. Nesta nova fase, sentiram de forma especial a presença e a protecção da Virgem Maria. A tradição carmelita conservou a memória da aparição de Nossa Senhora a São Simão Stock. A quem a Virgem Maria confiou o escapulário como sinal da sua aliança e protecção materna. Com o tempo, os frades, além da vida de oração, dedicaram-se ao apostolado, à pregação e à animação espiritual. Fundaram confrarias e Ordens Terceiras, promovendo a vida espiritual de quantos se aproximavam. O desejo de muitas mulheres em partilhar este ideal levou ao nascimento do ramo feminino da Ordem.

É neste contexto de rica tradição e de renovado fervor espiritual que, no Século de Ouro espanhol, surge a Reforma do Carmelo, promovida por Santa Teresa de Jesus. Mulher de grande interioridade, Teresa sentiu o apelo a regressar às fontes da vida consagrada, numa entrega mais radical a Deus, pela oração — não como prática formal, mas como experiência viva de amizade: “oração, a meu ver, não é senão tratar de amizade, estando muitas vezes a sós com Quem sabemos que nos ama” (Vida 8,5).

Foi no seio desta relação de amizade que Teresa discerniu a missão que o “Jesus de Teresa” lhe confiava: fundar uma família religiosa cuja única preocupação fosse ser “amigos fortes de Deus” (Vida 15,5). Por isso, pediu as devidas autorizações para iniciar novos conventos de irmãs carmelitas, que passariam a ser conhecidas como Carmelitas Descalças. “Descalços” era um termo comum na época para designar os movimentos de reforma das antigas ordens religiosas. Estas comunidades de “amigos fortes de Deus” exigiam, segundo a intuição de Teresa, condições concretas que favorecessem a amizade com o Senhor: casas e comunidades pequenas; pobreza evangélica; vida fraterna e oração intensa; e um ambiente propício ao silêncio. Assim, em 1562, fundou em Ávila o primeiro convento de Carmelitas Descalças, onde se cultivavam os valores da humildade, do desprendimento, da simplicidade e do amor à Virgem Maria no seguimento de Jesus.

Convencida de que este carisma era um dom para toda a Igreja, Teresa deu um passo decisivo e iniciou também a reforma do ramo masculino. Os Carmelitas Descalços organizaram-se para viver o mesmo espírito das suas irmãs e para as apoiar no caminho da santidade. Com identidade própria, comprometeram-se a viver o silêncio orante no meio da missão, procurando conciliar contemplação e anúncio. Teresa encontrou-se então com João de S. Matias, frade carmelita que desejava seguir Cristo de forma mais radical. Da amizade espiritual e da comunhão de intenções entre ambos nasceu uma colaboração fecunda. João abraçou o projecto da reforma e adoptou o nome de João da Cruz. Em 1568, fundaram juntos a primeira comunidade masculina em Duruelo, na província de Ávila.

Frades e irmãs uniram-se, assim, no mesmo ideal: viver fielmente a Regra Primitiva de Santo Alberto, formando comunidades de oração e vida fraterna, animadas por um autêntico espírito evangélico. Às irmãs é confiada a missão da oração contemplativa, levando no coração as grandes necessidades da Igreja e do mundo. Aos frades é pedido que vivam o mesmo ideal de intimidade com Cristo na oração, mas que também O anunciem, através do testemunho e da pregação, onde for mais necessário.

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Inspirados pela mesma espiritualidade, surgiram ao longo do tempo os Carmelitas Descalços Seculares — leigos consagrados que, inseridos no mundo, assumem este carisma com três pilares fundamentais: a oração pessoal e comunitária, a vida fraterna e o testemunho cristão no seio da família e da sociedade.

O carisma do Carmelo Descalço é marcado por uma comunhão fraterna profunda e por uma oração fecunda, contemplativa e apostólica. Faz parte da nossa identidade a contemplação amorosa de Deus, bem como a imitação de Maria e de São José, que, segundo o desejo de Santa Teresa, devem inspirar e proteger todas as comunidades e fraternidades carmelitas.

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Hoje, o Carmelo Descalço continua a ser, para muitos, uma Casa e Escola de Comunhão com Deus e entre os irmãos. Em conventos, fraternidades seculares, grupos de jovens ou famílias que se deixam tocar por este espírito, todos são chamados a partilhar a vida e a irradiar a alegria da intimidade com Cristo. Como uma única Família com três ramos — irmãs, frades e leigos — vivemos o compromisso de testemunhar essa comunhão que é dom e missão. Assim, pela oração, o amor que Deus derrama nos nossos corações transforma-se em vida partilhada e missão no mundo.