Testemunho do João Azavedo

 

Quando me pediram que desse este testemunho sobre a importância que o Rumos teve e tem na minha caminhada vocacional confesso que me senti muito feliz por poder partilhar esta bela experiência mas ao mesmo tempo fiquei sem saber por onde começar, então tive de recordar e perceber em que pontos concretos é que o Rumos se revelou essencial no caminho da minha vocação.

Assim, cheguei à conclusão de que o Rumos me orientou em três pontos essenciais: primeiramente, foi importante para perceber que uma vocação não é uma função nem um cargo mas sim um ato de entrega de toda a vida a um modo de vida específico alicerçado naquilo que Deus me pede; depois, o Rumos foi crucial para o meu autoconhecimento que é essencial para abraçar qualquer vocação, pois sendo a vocação um ato de doação, eu não posso entregar a Deus algo que não conheço, que nem eu sei bem o que é; finalmente o Rumos, ajudou-me a perceber qual seria a minha vocação e continua a ajudar-me a discerni-la e a perceber de que modo posso abraçar esta forma de consagração, pois penso que a vocação tem de ser alimentada e discernida ao longo de toda a nossa vida para que não sejamos meros funcionários de Deus, mas enamorados d´Ele que fazem sua a própria missão de Deus.

Penso que um dos pontos mais importantes na minha caminhada no Rumos, para além do silêncio e da oração, que são essenciais, foi o contacto real que tive com cada uma das vocações pois todas elas, sendo diferentes na sua forma de ser prática são iguais no seu objetivo, Jesus Cristo. Assim, cada uma das diferentes vocações ajudaram-me a descobrir e a traçar o caminho que penso que o Senhor preparou para mim. Neste aspeto, ajudou-me o contacto real e o testemunho de várias vocações, pois foi muito importante para mim ver as diferentes vocações encarnadas em pessoas concretas. E posso afirmar, que os exemplos foram muito bons!

Não posso deixar de referir que o ambiente de família e de partilha que se vive no Rumos nos seus participantes e orientadores me ajudou muito por que considero que foi decisivo para mim conhecer pessoas com as mesmas inquietações que eu, que procuravam o mesmo que eu, Jesus Cristo encarnado nas suas próprias vidas.

E como me sinto feliz por ver que mesmo no espaço de tempo entre os vários “Rumos”, vamos conversando e partilhando a vida uns com os outros!

Ao longo dos diversos Rumos tenho tentado perceber de que forma posso abraçar mais e melhor a vocação à qual me sinto chamado por Deus, de que forma posso amar mais a Deus e aos meus Irmãos neste caminho que Ele me propõe.

Confesso-vos que neste pequena caminhada feita nos Carmelitas Descalços percebi que os caminhos de Deus, são exigentes mas também belos, em que sentimos sempre que Ele nos sustenta e nos guia pela mão e por isso penso que não devemos ter receio, nem medo de ir em frente, de ir ao seu encontro porque temos a certeza que Jesus nunca nos abandona e que está à nossa espera desde o principio para nos levar para junto do Pai, mesmo sabendo que, muitas vezes, nós vamos falhar, cair, ser infiéis… mas Ele está lá, para nos acolher!

Outro aspeto importante do Rumos foi o facto de ter permitido aprofundar o conhecimento em relação a alguns Santos do Carmelo que me levou a identificar-me muito com os seus anseios os seus desejos e com o seu modo de estar na Igreja e este contacto com os Santos Carmelitas ensinam-me que devemos ser ousados na nossa relação com Deus, como uma criança que confia incondicionalmente no seu Pai e na sua Mãe e lhes confia a sua vida e o seu amor.

No fundo, penso que o Rumos é uma luz que vai iluminando o nosso caminho e nos ajuda a perceber melhor quais os sinais que Deus nos dá para seguirmos o verdadeiro caminho.

Finalmente, quero também partilhar uma pequena história que aconteceu comigo e que me marcou profundamente: Um dia uma jovem veio ter comigo para saber algumas informações sobre o Carmelo e o seu carisma. No final dessa longa conversa essa jovem perguntou se me podia fazer um pedido: pediu-me que fosse uma verdadeira testemunha de Cristo pois “ eu e o mundo precisamos de testemunhas reais e precisamos que sejas uma dessas testemunhas”. Eu fiquei sem resposta, despedi-me e nunca mais esta frase me saiu da cabeça! Penso que este pedido me vai acompanhar durante muito tempo, felizmente!

Penso que é esta a grande questão o Rumos nos ajuda a colocar: Serei eu verdadeira testemunha de Cristo? Como? Só através desta questão podemos perceber o que é que Deus espera de nós.

Que o Senhor nos ilumine a todos para que sejamos imagens vivas de Cristo para aqueles que se cruzarem connosco, nos caminhos da vida e do mundo. Que levemos sempre no coração a marca e a ferida do amor de Deus.

O Caminho que Jesus nos propõe raramente é o mais fácil mas uma coisa posso afirmar: é o caminho mais belo!

“Como é doce o Caminho do Amor”, S. Teresa de Lisieux

Rezai por mim, um grande abraço para todos!