Para quem iremos nós, Senhor?
Só Tu tens palavras de vida eterna! (Jo 6, 68)

DEUS CHAMA
“Dentro da vocação universal à santidade, sobressai a peculiar iniciativa de Deus ter escolhido alguns para seguirem mais de perto o seu Filho Jesus Cristo tornando-se seus ministros e testemunhas privilegiadas. O divino Mestre chamou pessoalmente os Apóstolos «para andarem com Ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar demónios» (Mc 3, 14-15); eles, por sua vez, agregaram a si mesmos outros discípulos, fiéis colaboradores no ministério missionário. E assim no decorrer dos séculos, respondendo à vocação do Senhor e dóceis à acção do Espírito Santo, fileiras inumeráveis de presbíteros e pessoas consagradas puseram-se ao serviço total do Evangelho na Igreja. Dêmos graças ao Senhor, que continua hoje também a convocar trabalhadores para a sua vinha”.
A NOSSA RESPOSTA
“Por parte daqueles que são chamados, exige-se-lhes escuta atenta e prudente discernimento, generosa e pronta adesão ao projecto divino, sério aprofundamento do que é próprio da vocação sacerdotal e religiosa para lhe corresponder de modo responsável e convicto. A propósito, o Catecismo da Igreja Católica recorda que a livre iniciativa de Deus requer a resposta livre do ser humano. Uma resposta positiva que sempre pressupõe a aceitação e partilha do projecto que Deus tem para cada um; uma resposta que acolhe a iniciativa amorosa do Senhor e se torna, para quem é chamado, exigência moral vinculativa, homenagem de gratidão a Deus e cooperação total no plano que Ele prossegue na história".
Mensagem do Santo Padre Bento XVI para o 46º Dia Mundial de Oração pelas Vocações
QUEM É O SACERDOTE CARMELITA DESCALÇO?


"Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio, e levantarei o mundo" O que Arquimedes não pôde obter (…) os santos obtiveram-no em toda a plenitude: o Todo-poderoso deu-lhes como ponto de apoio; Ele mesmo e Ele só; e como alavanca: a oração, que abrasa com fogo de amor"
(S. Teresa do Menino Jesus)
Buscando Cristo com a determinada determinação de Santa Teresa de Jesus, e consumindo-se numa chama de amor viva com S. João da Cruz, o Padre carmelita descalço sabe-se, ao mesmo tempo, simples instrumento, mero nada que Deus escolheu para empreender com o Seu Filho a marcha até ao cimo do Calvário.
Porque a vocação ao Carmelo é a vocação à RADICALIDADE DO AMOR; e "ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida". E não a dá sozinho, caminha em companhia daquelas que "estando fechadas, pelejam por Ele"; por isso, é, por vocação, unido a Cristo, sacerdote e vítima que vive a oferenda perpétua da sua vida em plena CLAUSURA DE CORAÇÃO, porque sabe que "a alma que quer que Deus se lhe dê todo, há-de dar-se TODA".
Até onde? Só o amor o dirá…. Mas quem dera que fosse até ao supremo "Só Deus basta"; "Senhor, por vosso amor, sofrer e ser desprezado!"... .
1. PADRE AGOSTINHO LEAL (1953 - ...)
O Padre Agostinho Leal, foi o pastor do Carmo Jovem por um dia.
Estivemos no Kerit, no retiro de silêncio, no convento onde reside, convento do Menino Jesus de Praga, Avessadas. Que Nossa Senhora do Carmo, nossa mãe, o cubra com o seu manto, o recompense por todo o seu zelo e lhe dê forças para continuar a sua nobre caminhada.
O P. Agostinho dos Reis Leal nasceu a 26 de Fevereiro de 1953, na freguesia de Avessadas, concelho de Marco de Canaveses, distrito do Porto. Seus pais Alexandre da Silva Leal e Carolina Vieira dos Reis decidiram levá-lo à casa de Deus (Igreja Paroquial de Avessadas) e incorporá-lo na família cristã no dia seguinte ao seu nascimento. Cresceu pelos prados, montes e ribeiros que hoje circundam o Santuário do Menino Jesus da Praga, mas que ainda não fora construído.
Entrou com onze anos para o Seminário Missionário Carmelitano de Viana do Castelo a 27 de Setembro de 1964. Onde revelou dotes de ser bom de bola para os estudos e para o futebol. Sete anos passados iniciou o Noviciado no dia 22 de Setembro de 1971, que decorreu no Convento Carmelita de Fátima, onde precisamente um ano e um dia depois, a 23 de Setembro de 1972, realiza a sua Profissão religiosa de Carmelita Descalço. Mais tarde parte para o Porto onde realiza dos estudos eclesiásticos, primeiro no ISET (Instituto Superior de Estudos Teológicos, depois no ICHT (Instituto de Ciências Humanas e Teológicas). É ainda no Porto que em emite a 2 de Outubro de 1977 a sua Profissão Solene. Recebeu o Diaconado no dia 18 do seguinte mês de Dezembro desse mesmo ano, em Salamanca – Espanha, onde concluiu os estudos eclesiásticos. Cerca de meio ano volvido regressa a Portugal para no dia 23 de Julho de 1978, na Igreja Matriz de Viana do Castelo, receber o Presbiterado. De lá para cá já esteve em vários conventos: fez parte das comunidades de Aveiro, Avessadas, Porto, e desempenhou diversos cargos de responsabilidade na Ordem dos Carmelitas Descalços: formador, provincial, ecónomo provincial, Superior das comunidades por onde tem passado, conferencista, animador e pregador de retiros. Actualmente e até ao fim do triénio 2008-2011 desempenha as funções de Superior da comunidade Carmelita do Convento de Avessadas bem como o serviço de Reitor do Santuário do Menino Jesus de Praga; é também director do Mensageiro do Menino Jesus, sendo ainda, membro da Comissão de Espiritualidade da Ordem. Do que conheço do P. Agostinho Leal, posso dizer que me seduz a sua maneira alegre de ser, a maneira como reza e ensina a rezar e a cantar: “Se queres que Jesus cresça, se queres que Jesus cresça, se queres que Jesus cresça mais e mais, faz-te muito pequenino, dá um chuto a Satanás, dá um abraço ao teu irmão, mais e mais…”.
Tiago Gonçalves (Braga)
2. PADRE S. JOÃO DA CRUZ (1541-1591)
João da Cruz nasceu em 1542, em Fontiveros (Ávila). A morte do pai pouco depois do seu nascimento transformou em pobreza a modéstia do seu lar. Após estudar no Colégio dos Jesuítas de Medina del Campo, entre 1559 e 1563, ingressou, em 1563, no convento de Santa Ana, da mesma cidade, onde tomou o hábito. Frequentou a Universidade de Salamanca, sendo ordenado em 1567. Após deixar a Universidade iniciou a sua colaboração com Santa Teresa de Ávila na fundação da Ordem dos Carmelitas Descalços, procurando imprimir a pureza da regra primitiva do Carmelo.
Foi preso em Ávila, na sequência de contendas surgidas com os que se opunham à acta de fundação da Ordem dos Carmelitas Descalços, mas Santa Teresa intercedeu por ele junto de Filipe II.
Exerceu, após a sua prisão, uma grande actividade como director espiritual, prior e fundador de conventos, especialmente na Andaluzia.
Morreu em Úbeda (Jaén), a 14 de Dezembro de 1591.
3. PADRE HERMANN COHEN (1820-1871)
“Fui inundado de graças durante o tempo de silêncio”
Hermann Cohen nasceu em Hamburgo, oriundo de uma família judaica alemã, da tribo de Levi, no dia 10 de Novembro de 1820. Cohen, em hebraico, significa sacerdote. Os pais possuíam uma fortuna considerável, mercê dos negócios paternos. O pai, David Abraham Cohen, e a mãe, Rosalía Benjamim, sempre propiciaram a Hermann uma nobre e cuidada educação. Para isso inscreveram-no no melhor colégio de então, maioritariamente frequentado por crianças protestantes. Aos quatro anos descobriu o piano, vindo a tornar-se num artista consumado, discípulo predilecto do famosíssimo Franz Liszt.
Aos doze anos foi nomeado professor no Conservatório de Música. Liszt apresentou-o à escritora George Sand que passou a apreciá-lo e costumava chamá-lo de «little Puzzi». Era de facto o retrato do progressista da época. Viveu durante muito tempo imerso na frivolidade dessa sociedade brilhante, criativa no aspecto artístico, boémia e anticristã, que acrescentaram à sua vaidade, a sede de êxito e elogios e a satisfação dos mais pequenos caprichos.
Aos 27 anos foi inesperadamente convidado por um amigo do príncipe a dirigir o coro da Igreja de Santa Valéria de Paris, entretanto demolida, durante o Mês de Maio de 1847. Foi o princípio da sua conversão. Quando o sacerdote dava a bênção do Santíssimo, o judeu Hermann, desprovido de qualquer fé, experimentou: «uma estranha emoção… a emoção era grata e forte e sentia um alívio desconhecido». Sentia-se abençoado, sabendo não merecer ser incluído. E assim durante dias seguidos. A emoção jamais o largou. Passou a frequentar as missas dominicais daquela igreja.
Hermann buscara a felicidade por cidades, mares e reinos sem a encontrar, e acabara de a encontrar sem a procurar. Na cidade alemã de Sem onde teve de ir repentinamente dar um concerto abandonou tudo o que o impedia de ser cristão: à hora da Missa entrou sem vergonha na igreja paroquial, e «à saída já era cristão», sem ainda ser baptizado. Uma amiga, a Duquesa de Rauzan, em quem confiou, apresentou-o ao Padre Legrand que o instruiu e baptizou na Capela de Nossa Senhora de Sião, a 28 de Agosto de 1847, dia em que a Igreja celebra a festa do grande converso Santo Agostinho. Foi confirmado pelo bispo de Paris, D. Affre, a 3 de Dezembro de 1847.
Entrevista-se com o Santo Cura d’Ars a quem expõe a ideia da Adoração Nocturna. O Santo anima-o a prosseguir e profetiza que sua mãe se converterá ao cristianismo. Hermann tudo faz para o conseguir mas sem êxito. Contudo, ela baptizar-se-á pouco antes de morrer. Logo depois, juntamente com o Sr. Aznaréz, um antigo embaixador espanhol, e o conde Raimundo de Cuers, capitão de fragata, criou a Adoração Nocturna sob a supervisão do Vigário Geral de Paris, Mons. De la Bouillerie. Na primeira noite estiveram presentes apenas os três, na segunda, 19 pessoas e faltaram 4 inscritos. Mas a obra haveria de crescer e espalhar-se por 50 dioceses.
Depois de dificuldades várias entrou no Carmelo Teresiano.
Entrou no Noviciado, no Carmo de Le Broussey, perto de Bordéus, o único que existia em França. Recebeu o hábito no dia 6 de Outubro de 1849, tomando o nome de Frei Agostinho Maria do Santíssimo Sacramento. Um ano e um dia depois fez a sua Profissão Religiosa.
Como sacerdote carmelita dedicou-se à fundação de conventos carmelitas em França, à pregação por toda a França, Inglaterra, Irlanda, Itália, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo e Suíça, à expansão da Adoração Nocturna. Falava com gosto do mistério inefável da Eucaristia, do seu amor pela Virgem Maria, e submetia-se sempre à vontade de Deus. Viveu para amar e fazer amar a Eucaristia! Os ventos mudam.
Em 1868 o santo pianista, o mais popular Carmelita Descalço, amado e aclamado em toda a França, é perseguido de cidade em cidade, porque é alemão. Em Novembro de 1870 foi enviado pelos superiores para a Prússia como capelão dos prisioneiros de guerra franceses. Foi a sua última missão. Nos inícios de Janeiro, ao assistir a dois soldados contraiu a varíola de que veio a morrer poucos dias depois. No dia 19 de Janeiro de 1871, confessou-se, renovou os votos e comungou pela última vez, permanecendo bastante tempo em contemplação e acção de graças. E cantou em voz alta o Te Deum, o Magnificat, a Salve Regina e o De Profundis. Caiu de cama, suspirando: «E agora, meu Deus, em tuas mãos entrego o meu Espírito». Foram as suas últimas palavras. Na manhã do dia 20 de Janeiro de 1871, fez um pequeno movimento e, alguns minutos depois, deixa de existir na terra.