renato

Olá, estimados leitores. Chamo-me Renato e tenho 26 anos. Sou da Ilha Terceira (Açores) e estou no Carmelo há 7 anos.

Pediram-me que partilhasse convosco o meu testemunho vocacional: é das coisas mais difíceis que me podem pedir, porque nunca sei por onde começar. Na minha vida, não consigo isolar o momento em que Deus começou a chamar-me. Na verdade, desde que me lembro de mim, sempre fui embalado por um “murmúrio interior” de que queria ser sacerdote, o que, naquele tempo, significava ocupar-me das coisas de Deus. Em 2001, com a chegada do pe. Francisco Zanon à paróquia da Vila Nova (a paróquia onde nasci e cresci), esse “murmúrio interior” foi-se concretizando: fez-se identificação com um homem a quem eu surpreendia muitas vezes em oração, um pastor que se “desfazia” em cuidados por um povo que não estava interessado, um sacerdote que era normal e feliz. Sobretudo, fascinava-me a maneira como exercia a paternidade espiritual, como construía comunidade e como se preocupava, cuidava e cultivava a espiritualidade.

Quando cheguei à idade das decisões, senti a necessidade de clarificar aquilo que sentia. Então, com o meu pároco, comecei um caminho de discernimento vocacional. Ao início, estava concentrado no sacerdócio. Mas, ao longo do discernimento, fui acolhendo algo incómodo e que estava fora do meu horizonte: esse chamamento que me acompanhava estaria relacionado com um carisma centrado na espiritualidade. Nunca imaginei ser frade. Aliás, até posso confidenciar que não entendia para que “serviam” os frades; com tantas comunidades a precisar de pastor, porque é que alguns se “fechavam” em conventos? Para mim, o que era necessário eram sacerdotes nas paróquias. Para mim, claro… porque, para Deus, as coisas não eram bem assim. E Ele mantinha-me inquieto e à procura.

Nessa busca, encontrei o Carmelo. Decidi-me a conhecer a Ordem. Primeiro, pela leitura: a vida de Sana Teresa ecoava em mim e ajudava-me a compreender a minha própria vida. Depois, conheci a Ordem pelo convívio: durante a semana e meia que passei com os carmelitas em outubro/novembro de 2009 e nos quinze dias de agosto de 2010, senti que estava em casa. Estas certezas bastaram-me para começar um caminho dentro da Ordem.

Ao longo desse caminho, foi experimentando que o Carmelo é um modo de vida transformador que me une sempre mais a Jesus, uma verdadeira família formada pelos meus frades, pelas minhas irmãs carmelitas de clausura e pelos meus irmãos carmelitas seculares, um habitat onde posso cultivar a minha oração, a minha fraternidade e o meu apostolado conforme o carisma de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz. Fui recebendo e experimentando tudo isto ao longo do meu processo formativo que passou pela comunidade carmelita do Porto (onde fiz o meu postulantado), de Avessadas (onde, no ano de 2012-2013, fiz o meu noviciado), de Salamanca (onde estudei filosofia e teologia), de Madrid (onde continuei a estudar teologia) e agora, na comunidade do Porto.

Nos momentos orantes e no dia-a-dia da vida comunitária e pastoral, vai-se renovando e consolidando a certeza que Jesus me chama a ser carmelita, ou seja, a ser cristão segundo Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz. Este carisma é a resposta àquilo que sempre procurei. Cada dia vou experimentando que o carisma carmelita é a forma de viver que me faz ser mais eu, ser mais de Deus, ser mais para os outros. E sinto que este carisma é um dom para o nosso mundo de hoje porque insere quem vive a espiritualidade carmelita num clima de família, no qual a partilha de vida com os irmãos e as irmãs é um sustento para a união com Deus.

Como Santa Teresinha do Menino Jesus, posso dizer cheio de alegria: “encontrei o meu lugar na Igreja, e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós que mo destes”.

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