renato

Olá, estimados leitores. Chamo-me Renato e tenho 23 anos. Sou da Ilha Terceira (Açores) e estou no Carmelo há 5 anos (entrei em 2010). Pediram-me que vos oferecesse o meu testemunho vocacional: é das coisas mais difíceis que me podem pedir. Mas, como a obediência dá forças, e para começar com algum fundamento, digo-vos que só sei uma coisa: Deus vai-me chamando. Não consigo isolar um momento em que Deus me tenha chamado ou me tenha começado a chamar. Na verdade, fui crescendo embalado por um “murmúrio interior” de que queria ser sacerdote que, naquele tempo, significava apenas tratar das coisas de Deus. Pouco a pouco, aquele Deus invisível foi-se fazendo muito visível na minha vida através da minha mãe, o que ia forjando a minha futura consagração. Com a chegada do pe. Francisco Zanon, um sacerdote brasileiro, à Vila Nova (a paróquia onde nasci e cresci), esse chamamento “galgou” novas áreas da minha vida: fez-se identificação com um homem a quem eu surpreendia muitas vezes em oração (às vezes, com lágrimas) diante do sacrário, que se desfazia por um povo que fazia tudo ao contrário, que era normal e feliz. No trabalho pastoral do meu pároco, emergia o cuidado da espiritualidade. E aquilo dizia-me tanto… Quando cheguei à idade das decisões, tive que clarificar aquilo que sentia. Então, com o meu pároco, comecei um caminho de discernimento vocacional. Ao início, estava concentrado no sacerdócio. Mas, ao longo do discernimento, foi-se clarificando que esse chamamento estaria relacionado com um carisma centrado na espiritualidade. E, finalmente, encontrei esse carisma encarnado numa família: o Carmelo.

Cheguei ao Carmelo sem saber o que ia encontrar. Durante a semana e meia que passei com os carmelitas em Outubro/Novembro de 2009 e nos quinze dias de Agosto de 2010, senti que estava em casa. Mas, nunca imaginei que CARMELO significaria, como agora significa, um casulo onde me vou transformando para que Cristo viva em mim, uma verdadeira família formada pelos meus frades, pelas minhas irmãs carmelitas de clausura e pelos meus irmãos carmelitas seculares, um habitat onde posso cultivar a minha oração, a minha fraternidade e o meu apostolado desde o carisma que Jesus concedeu à Igreja em Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz. Tudo isto foi sendo recebido e experimentado ao longo do meu processo formativo que passou pela comunidade carmelita do Porto (onde fiz o meu postulantado), de Avessadas (onde, no ano de 2012-2013, fiz o meu noviciado), de Salamanca (onde estudei filosofia e teologia) e, agora, de Madrid. É na oração e nas relações que vou tecendo com inúmeras pessoas (carmelitas ou as crianças, jovens, adultos e idosos com quem trabalho) que percebo que Jesus me chama a ser carmelita, ou seja, a ser cristão segundo Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz. Este carisma é a resposta àquilo que sempre procurei e a forma de viver que, cada dia, faz-me ser mais eu, ser mais de Deus, ser mais para os outros. É deste carisma que brota e brotará a fecundidade do meu apostado de paternidade espiritual. Como Santa Teresinha, posso dizer: “encontrei o meu lugar na Igreja, e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós que mo destes”.

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