Olá, estimados amigos.

Sou o João Pedro Azevedo Soares e tenho 20 anos, sou o mais jovem na Ordem dos Carmelitas Descalços em Portugal! Sou natural de Marco de Canaveses, de uma terra chamada Avessadas, onde os Carmelitas Descalços estão presentes num Convento dedicado ao Divino Menino Jesus de Praga, a quem devo a minha vocação!

Começo por manifestar a minha grande alegria por poder partilhar convosco o meu humilde testemunho, com o desejo que ajude quem o lê a perguntar-se sobre o que Deus verdadeiramente espera de si.

Nasci no seio de uma família cristã, a quem reconheço ser um dos maiores dons que Deus me deu, pois desde muito cedo procuraram inserir-me na vida da fé e da igreja e a descobrir que sou precioso aos olhos de Deus, tal como sou!

Assim, desde a minha infância, participava na vida da minha paróquia mas também mantinha um grande contacto com os Frades Carmelitas que viviam no convento próximo da casa onde vivia. Posso dizer que parte significativa da minha vida se passava dentro do espaço daquele convento, onde me sentia como em casa, sem saber nem imaginar o que Deus tinha reservado para mim!

Ficava fascinado ao ver os Frades vestidos com os seus hábitos a rezar mas também gostava de os ver a trabalhar na quinta, onde eu por vezes também ajudava, ou pelo menos tentava ajudar! Questionava-me como seria a vida deles para além daquilo que eu via! E imaginava coisas maravilhosas!

Pois bem, fui crescendo, estudando e sem que me desse conta Deus foi amadurecendo a minha fé e foi cuidando dentro de mim uma semente Carmelita que mais tarde viria a germinar.

Quando estava a frequentar o 11º ano, a questão do curso universitário começa a surgir e vejo-me rodeado de perguntas sem resposta até que a ideia de vir a ser um Frade Carmelita, que tanto admirava, começa a brotar dentro de mim. Confesso que fiquei assustado só de pensar que podia ser verdade! Até que num determinado dia Deus deu-me coragem para pedir ajuda e assim foi! Tive a graça de ser acompanhado por dois Frades Carmelitas e de participar na atividade vocacional “Rumos”.

No final do 12º ano, senti um forte apelo de Jesus e decidi começar o caminho do amor no Carmelo com o desejo de poder vir a dizer um dia, tal como S. João da Cruz que “Só amar é o meu exercício”.

Estive dois anos no Convento do Porto como Postulante onde frequentei os dois primeiros anos do curso de Teologia na Universidade Católica Portuguesa e, agora, encontro-me na etapa do noviciado, juntamente com mais três irmãos com quem, felizmente, tenho vindo a fazer caminho no Carmelo: o Frei André, o Frei David e o Frei Francisco.

E, assim, vou continuando a minha Subida do Monte Carmelo, juntamente com os meus irmãos, “passando os fortes e as fronteiras, à procura do meu Amado”, Jesus Cristo, sabendo que só Ele é o “Caminho, a verdade e a vida”.

Nestes pouquinhos anos em que estou na Ordem dos Carmelitas Descalços posso dizer que o Caminho que Deus propõe a cada um de nós nunca é o mais fácil mas sempre o mais belo, ao ponto de poder dizer como S. Teresinha: “Oh! Como é doce o caminho do Amor”.

Finalmente, partilho convosco que na reunião que tive no Convento do Porto, a quando do início do período de Postulantado disse: “Aqui é o meu lugar! Serei sempre Carmelita aos pés do Menino Jesus” e por isso peço-vos que rezeis por mim para que o Espirito Santo me ajude neste caminho de abandono ao amor misericordioso do Pai, “como a criança que adormece, sem medo, nos braços de seu Pai”, à semelhança do Menino Jesus frágil e humilde mas confiante e rico em esperança!

No fundo, tudo o que escrevi para trás apenas serve para testemunhar que “Deus é amor” e cada um de nós é sacrário desse Amor.

Rezai, também, pelas vocações na Igreja. Que o Senhor leve a bom termo, a bela obra começada no coração de cada um de nós!

Que Deus nos abençoe a todos!

 

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