Queridos amigos,

O meu nome é Francisco e tenho 21 anos. Sou natural de Viseu e lá vivi até aos meus 18 anos, antes de entrar na Ordem.

É com muita alegria que partilho convosco de forma simples as misericórdias que Deus tem feito na minha vida. Sim, a nossa história vocacional é uma história de Amor e de Misericórdia que o nosso bom Deus escreve connosco!

Em primeiro lugar, considero muito importante que cada uma e que cada um reconheça que é infinitamente amada e amado por Deus e que tem para si, desde o princípio dos tempos, um plano de amor e de graça desenhado pelo próprio Deus.

Eu sei que não é fácil reconhecer isto porque hoje, mais do que nunca, a nossa vida anda em constantes reboliços e somos “chamados” por todos os lados para não nos centrarmos no essencial, no mais profundo centro onde podemos escutar a voz d’Aquele que chama de verdade.

Apesar de ter nascido no seio de uma família católica, foi para mim fundamental estar atento às interpelações de Jesus – que acontecem todos os dias – e deixar-me conduzir e desafiar por elas.

Não consigo assinalar um momento preciso no espaço cronológico da minha vida em que percebi definitivamente que o Senhor me chamava a consagrar-me inteiramente a si na Ordem dos Carmelitas Descalços. Porém, entendendo a minha vida como um espaço kairológico, ou seja, um tempo de Graça, posso reconhecer que Jesus tantas vezes me fala e me abana para que deixe cair tudo aquilo que não é d’Ele e, assim, O possa abraçar com toda a confiança e abandono numa vocação específica.

Desta forma partilho convosco que desde muito cedo sentia um enorme desejo em tornar-me sacerdote. Ao contemplar aquilo que eu entendia ser um sacerdote, via claramente alguém esquecido de si próprio que vivia inteiramente para os outros e vivia em profunda intimidade com Deus. Por isso, decidia-me e partilhava com a minha família este desejo de também ser assim.

Ao longo dos anos este desejo foi amadurecendo e nunca me deixou. Recordo-me que no final do meu Secundário, por nunca ter saciado completamente este meu desejo, começava a entrar num certo desespero: o que é que vou fazer da minha vida? Perante isto, decidi abandonar-me completamente nas mãos de Jesus. Já nada conseguia fazer; vi-me confrontado com a minha impotência… E eis que é nesse momento que conheço os Carmelitas Descalços! Na celebração do V Centenário do nascimento de Santa Teresa de Jesus – essa grande Mulher – dois frades Carmelitas foram a Viseu fazer um fim-de-semana de formação. Numa conversa muito rápida com um desses frades, partilhei os meus anseios e desejos. Através desse encontro surgiu um convite para um encontro de discernimento vocacional em Fátima: o Rumos.

Bem, a luz do farol da minha vida pareceu que voltou a acender. Agora contemplava uma luz que me podia orientar e guiar! E foi isso mesmo que aconteceu: em Fátima, com a Casa de Comunhão, composta pelas Irmãs, Frades e Leigos Carmelitas, encontrei também eu uma Casa. Essa Casa é a Casa do Carmelo que é a casa do amor, de Jesus, do acolhimento, da interioridade e do encontro. E, após acompanhamento vocacional e algumas experiências nesta Ordem, fui percebendo que o Senhor me chamava para algo mais, não só o sacerdócio mas também uma consagração radical a Ele, no Carmelo Descalço!

E agora, desde Fátima onde estou a fazer o Noviciado com mais três irmãos que Jesus me deu, agradeço a Deus por me ter acolhido nesta sua casa, neste seu jardim! O caminho, como vos disse, é de graça e de misericórdia mas também de muito abandono e de muita fé, principalmente nos momentos de maior dúvida. Ele nunca nos deixa sozinhos, mas quer ver sempre os seus filhos muito felizes e realizados numa vocação ao serviço d’Ele, da sua Igreja e do Mundo.

Como dizia a nossa Santa Madre Teresa de Jesus, «Agora começamos e procurem ir começando sempre de bem em melhor» (Livro das Fundações 29, 32), peço a todos vós que rezeis muito por mim para que me mantenha sempre amorosamente desperto para todas as interpelações e “abanões” que Jesus continua a fazer na minha vida e para que lhe possa responder com um enorme SIM aos seus planos e desígnios, à semelhança de Maria, Mãe do Carmelo, e de São José, Pai e Protector do Carmelo Descalço.

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